Open Finance

Compartilhamento de investimentos deve favorecer público jovem

Pesquisa aponta que Geração Z - pessoas entre 16 e 25 anos - marca virada definitiva das pessoas para os canais digitais e o compartilhamento de investimentos deve favorecer ainda mais isso. 

 

Desde o dia 31 de maio, o Open Banking abriu a possibilidade de compartilhamento de dados transacionais. Isso quer dizer que, além de informações da conta corrente, renda e empréstimos, por exemplo, os usuários também ganharam a alternativa de trocar com outras instituições dados sobre investimentos, seguros, câmbio e previdência, dando início, segundo o Banco Central, ao Open Finance.


Dessa forma, os usuários poderão comparar fundos de investimentos, fazer cotações de seguros em diversas seguradoras ao mesmo tempo e até compartilhar histórico de transações de câmbio ou de investimentos, conforme explicou o CEO da Quanto em entrevista para a InfoMoney.

Segundo, Taveira, “antes, era esperado apenas o compartilhamento padronizado de dados como lista de canais de atendimento, produtos, serviços e respectivas taxas e tarifas. Agora, é quando começamos a construir as bases do que será o compartilhamento de dados como cadastro, transações e operações pelo usuário com as instituições (de seguro, investimento, câmbio, etc.) que optar”.

 

No entanto, ainda existe um longo caminho para isso e os consumidores devem começar a sentir as mudanças apenas a partir do segundo semestre, quando as instituições estarão mais preparadas para oferecer serviços e produtos, além aproveitarem as novas conexões possibilitadas pelo Open Finance. E é justamente esse último ponto que deve favorecer o acesso da Geração Z no setor de investimentos.

 

Compartilhamento de investimentos deve favorecer Geração Z

 

Quando falamos de novas conexões e, especificamente de mercado de investimentos, um dos grandes benefícios do Open Finance é melhorar consideravelmente a experiência de onboarding de novos entrantes. E segundo uma pesquisa recente, grande parte dos novos investidores são da chamada Geração Z, pessoas entre 16 e 25 anos. 

 

A pesquisa, feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, sobre o Raio X do Investidor Brasileiro, mostrou que a Geração Z marca a virada definitiva das pessoas para os canais digitais financeiros. 

 

Segundo os dados, 40% dos entrevistados dentro desse intervalo de idade usam canais digitais (como aplicativos de bancos e corretoras, sites de notícias, fóruns on-line e blogs) para buscar informações sobre investimentos. Esse percentual vai caindo à medida que a idade aumenta. Entre os Millenials (entre 26 e 40 anos), essa fatia já fica em 32% e entre a Geração X (entre 41 e 60 anos) é menor ainda, 22%.

 

E o que a Geração Z tem a ver com a nova fase do Open Finance? Simples: tratam-se de pessoas habituadas à simplicidade. Pagam as contas com o celular, navegam em diversas plataformas quase que simultaneamente e prezam pela facilidade de acesso. Por isso, com o Open Finance, investir pode se tornar algo muito mais atrativo do que é hoje.

 

Onboarding, account top-up e cash-in

 

O problema atual que as corretoras de investimentos enfrentam é que ainda há muitos ruídos no processo de onboarding de novos clientes. Veja o caso abaixo.

Account top-up é um termo para designar operações de cash-in. Ou seja, trata-se de uma transação financeira que o usuário realiza para colocar dinheiro em uma nova plataforma. Para operações de câmbio ou recargas de crédito, por exemplo, precisa-se fazer um cash-in, que nada mais é do que fazer uma transferência do seu banco para a instituição desejada. 

 

Peguemos como exemplo uma corretora de valores de pequeno porte. Imagine que um jovem, habituado à simplicidade tecnológica, queria investir mil reais no CDB por meio dessa corretora. Para isso, precisará necessariamente ter mil reais ali para investir. Assim, precisará fazer um cash-in nessa conta - um account top-up - para conseguir realizar o investimento desejado. 

 

A dinâmica é a seguinte: a corretora precisa que o cliente faça cash-in e, usualmente, ele fará isso via TED ou boleto. Para tanto, esse possível cliente precisa trocar de Apps, copiar e colar dados bancários - banco, agência (precisa ou não colocar o dígito?), conta (mas tem um monte de zeros antes. Precisa colocar?) e outros dados. 

 

Como é possível perceber, não é um processo tão simples e, principalmente, leva muito tempo, o que diminui as chances da corretora de ativar esse cliente, que pode simplesmente achar o processo complexo demais, errar no meio do caminho e até despriorizar o que estavam fazendo por qualquer outra distração.


O Open Finance resolve esse problema

 

A partir do momento que o Open Finance permite o compartilhamento de dados transacionais, não há mais necessidade do usuário percorrer todo esse processo burocrático para colocar seu dinheiro na corretora e começar a investir. E assim que os bancos e instituições se adaptarem (pois isso leva um tempo), será fácil e rápido mandar dinheiro para a nova conta e finalizar o onboarding.

 

Nesse caso, ao invés de sair do App da corretora e entrar no App do banco para fazer uma TED ou até pagar um boleto, o usuário ganha a opção de, no próprio App da corretora, selecionar o banco no qual tem conta e, dali, do próprio App da corretora, autorizar uma transação financeira entre o seu banco e a corretora. Simples como a Geração Z quer que seja.

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