Open Finance

Concessão de crédito: veja como o Open Finance pode contribuir

Com as informações do Open Finance e novos dados à disposição, toda a jornada de concessão de crédito deve ficar muito mais dinâmica e precisa. Entenda. 

 

Quando falamos em concessão de crédito, existe um ciclo que vai desde a análise dos dados para aprovar ou não um pedido de crédito até uma possível cobrança de dívidas. Mas há ainda outras questões que englobam esse mercado, como atrair novos clientes, reter aqueles que já estão dentro de casa e, principalmente, calibrar a oferta de crédito para maximizar ganhos e evitar a inadimplência. E é justamente aqui que o Open Finance / Open Banking pode fazer toda a diferença. 

 

De acordo com Douglas Amorim de Oliveira, Head of Data Science da Quanto, o mercado de crédito hoje tem algumas dores. "Há escassez de informações para a tomada de decisão", afirma. Segundo ele, "em toda a esteira de crédito há hiatos de informações".

 

Em primeiro lugar, por exemplo, não há dados claros para a prospecção de clientes. Tanto que, não raro, "instituições financeiras contratam gerentes de outros bancos com o intuito de trazer a carteira de clientes desses profissionais", aponta Amorim. E esse fato por si só, já mostra que as empresas escolhem caminhos alternativos porque lhe faltam insumos para saberem quem abordar, quando abordar e com qual oferta. 

 

Mas os problemas não param por aí. Existe, obviamente, uma disputa comercial por clientes. E isso custa dinheiro. "Você reduz margem, ou seja, cobra menos do cliente, e gasta mais para adquiri-lo. Grande parte dessa aquisição é via marketing digital, anúncios e mídia paga, mas como temos assimetria de informações, fica complexo saber quem abordar ou não".  


Com o Open Finance e a nova gama de informações provenientes do sistema financeiro aberto, no entanto, o jogo muda. Muda porque a dinâmica muda. Ou seja, dados que antes eram trazidos com a carteira do gerente, agora podem ser compartilhados pelos próprios usuários. 

 

Assim, uma instituição que avalia a concessão de crédito para um novo cliente, pode ir além dos dados superficiais como endereço, profissão e renda, e verificar todo o histórico financeiro, empréstimos que essa pessoa já fez, se ela tem dívidas ou não e se, quando as têm, paga ou não seus débitos em dia. 

 

Open Finance amplia a análise de dados na concessão de crédito

 

Além de tornar o processo de prospecção mais dinâmico, o Open Finance também pode contribuir para a retenção dos clientes que já estão dentro de casa. 

 

Imagine que um cliente peça mais crédito em uma empresa na qual já possui  relacionamento. Com base nas informações cadastradas sobre essa pessoa, a empresa entende que isso não é possível, mas indica que poderia aumentar o limite caso o cliente compartilhe seus dados de Open Finance.

Nesse exemplo hipotético, digamos que o cliente aceite compartilhar os dados de Open Finance de um outro banco no qual possui conta. Ali, a instituição percebe que além de ter alguns investimentos, ele também possui uma carta de crédito desse outro banco. Com isso, pode não apenas sugerir a portabilidade desse crédito com uma taxa melhor, como também reavaliar o pedido de aumento de limite com base nas novas informações que teve acesso. 

 

Mas o score de crédito já não faz isso? Não. O score de crédito mostra um dado binário. A pessoa está ou não negativada, por exemplo. E se estiver, as chances de conseguir crédito serão menores. Com o Open Finance, no entanto, é possível visualizar que, mesmo uma pessoa negativada, pode ser uma boa pagadora. Afinal, quem nunca esqueceu de pagar uma conta? E às vezes, por um deslize mínimo, já somos enquadrados no grupo de "maus pagadores". 

 

"Com o Open Finance e a personalização das informações, isso não aconteceria. Ou seja, pessoas conseguem ter acesso ao que antes não teriam. Vem daí o benefício da democratização do sistema financeiro", diz o Head of Data Science da Quanto.

 

Open Finance torna as cobranças muito mais eficientes

 

Como lembra Douglas Amorim, há um ditado que diz: "quem chega primeiro bebe água limpa". Ou seja, se uma pessoa deve para duas instituições, a primeira que cobrar terá mais chances de receber o que lhe devem. Mas não é só. Porque não basta cobrar num momento ruim do cliente ou fazer isso com uma oferta que não se adapta ao bolso do devedor. 

 

Então, quando cobrar o cliente e quanto cobrar por uma dívida? O Open Finance pode oferecer as informações para isso.

Caso o cliente com dívida consinta em compartilhar seus dados de Open Finance, é possível verificar o melhor dia para a cobrança, como por exemplo, algo próximo ao dia de pagamento dessa pessoa. Mas além disso, é possível calibrar a cobrança de acordo com o perfil financeiro. Afinal, se uma pessoa deve R$ 4 mil, mas ganha mensalmente R$ 3 mil e, destes, já têm R$ 2 mil comprometidos com gastos básicos, talvez seja possível amortizar a dívida por apenas R$ 1 mil e, assim, receber pelo menos uma parte do que já havia sido provisionado pela empresa como saldo devedor. 

 

O Open Finance / Open Banking pode e deve contribuir para melhorar todos os processos relacionados à concessão de crédito. E essas mudanças já estão começando a acontecer.

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