Open Banking

Open Banking deve empoderar consumidores e melhorar competitividade

Artigo de Gustavo Bresler, Gerente de Estratégia da Quanto.

 

O Open Banking no Brasil está apenas começando, mas representa um grande passo na agenda do Banco Central do Brasil em fomentar a competição de um mercado que, historicamente, nunca teve muitas aberturas. Prova disso é que, agora, os consumidores podem compartilhar seus dados entre instituições financeiras, mesmo que ainda se perguntem quais são os benefícios disso.

Mas será que o Open Banking expandirá o acesso aos serviços financeiros e reduzirá as taxas de crédito?

 

A implementação do Open Banking no Brasil começou em fevereiro, porém os primeiros marcos para o consumidor só chegaram no dia 13 de agosto, com o início de sua 2ª fase. Foi a partir daí que os brasileiros ganharam a possibilidade de solicitar o compartilhamento de seu histórico financeiro entre as instituições participantes - todas reguladas pelo Banco Central. Os dados compartilhados incluem informações de conta e dados cadastrais, transações, operações e histórico de crédito. Tudo dentro de um processo de consentimento que já percorreu um longo caminho, moldado a partir de outras implementações de Open Banking em todo o mundo e melhorado para garantir uma boa usabilidade.

 

Espera-se que os dados compartilhados reduzam os custos de risco em um mercado marcado pela assimetria de informação. Inicialmente, os consumidores cujos históricos financeiros sempre tiveram pouca visibilidade, especialmente os jovens e trabalhadores autônomos, terão acesso a melhores produtos financeiros. Assim, gradualmente, à medida em que os bancos e fintechs atualizarem seus modelos de risco, as taxas ficarão mais justas para cada indivíduo e mais baixas, devido ao aumento da concorrência. Em outras palavras, os brasileiros terão autonomia para serem verdadeiros donos de seus dados e se beneficiarão na busca de serviços financeiros personalizados que realmente atendam às suas necessidades.


Segurança e privacidade dos dados de Open Banking

 

A segurança, é claro, é uma grande preocupação. A privacidade e a proteção de dados e informações em serviços compartilhados estão entre os pilares do Open Banking no Brasil para garantir a segurança e uma boa experiência do cliente. Ao estar bem informado e com a certeza de que os dados estão protegidos, o usuário pode tomar uma decisão sobre o compartilhamento e a utilização de seus dados pessoais. Além disso, o Banco Central do Brasil estabelece requisitos obrigatórios, o que garante a responsabilidade das instituições participantes pela segurança e sigilo dos dados.


Diversas contas bancárias por usuário

 

Para quem imagina que o brasileiro não vai adotar o Open Banking e ficar com apenas um banco, pesquisa realizada pela Quanto em parceria com a Constellation, aponta que a tendência dos usuários de smartphones no Brasil é manter várias contas bancárias - com os jovens priorizando fintechs. No total, 16 instituições brasileiras foram citadas pelos respondentes da pesquisa, incluindo os cinco maiores bancos do país.

 

Entre os entrevistados, 75% possuem conta em mais de um banco. No geral, 70% têm conta em uma fintech e um em cada quatro mudou de instituição financeira no ano passado. Apesar da abertura de novas contas, metade dos entrevistados afirma nunca ter fechado conta em banco, e a maioria cita o medo de perder seu histórico financeiro - uma informação crítica para a obtenção de crédito ou financiamento. Como resultado disso, 62% afirmam que preferem bancos digitais, mas mantém uma conta em um banco tradicional para não perder informações sobre transações financeiras.

 

A resistência da maioria dos brasileiros em encerrar sua conta pelo risco de perder seu histórico bancário reforça a importância do Open Banking. Para resolver isso, o brasileiro precisa ter o controle dos próprios dados de forma confiável e segura, independentemente do banco que os originou e se a pessoa é cliente ou ex-cliente de uma instituição financeira.


Open Banking abre nova era do compartilhamento de dados

 

Mais do que possibilitar o compartilhamento de dados, o Open Banking abre caminho para um relacionamento diferenciado com os bancos. Com isso, não será necessário ir a uma agência ou mesmo abrir o aplicativo do banco para financiar uma compra ou obter um empréstimo. Isso, claro, exigirá adaptação de todo o mercado e ainda não está claro se serão os bancos ou as fintechs que vão tirar o máximo proveito do Open Banking. A única certeza é que o consumidor brasileiro será quem mais se beneficiará.