Open Banking

Produtos e soluções de Open Banking: os desafios rumo à inovação

Artigo de Marcos Zilli, Group Product Manager da Quanto. 

 

O desenvolvimento de produtos e soluções de Open Banking tem particularidades que vão um pouco além daquelas que estamos habituados a ver. E o grande diferencial é que atuamos em um mercado que ainda está se desenvolvendo e sendo implementado, o que exige um esforço a mais para compreendê-lo. 

 

O ponto é: diferentemente de um banco digital, que você sabe o que que é e, principalmente, entende quais são as dores das pessoas desse mercado, no Open Banking tudo ainda é muito aberto e abstrato. Então, como resolver essa equação? Como desenvolver produtos e serviços eficientes se ainda não sabemos o que é eficiência dentro do sistema financeiro aberto? 

 

Para começar, é imprescindível fazer benchmark. Afinal, apesar de o Open Banking não estar 100% implementado por aqui, em outros países o cenário já é bem mais avançado. Assim, é possível ver o que está funcionando ou não nesses mercados e adaptar os bons exemplos para o Brasil. 

 

Depois, é necessário entender a fundo, por exemplo, como as instituições analisam as informações de seus clientes para prover produtos financeiros mais competitivos. Mas isso não é simples, pois temos o desafio de fazer essa análise levando em consideração diferentes tipos de segmento de mercado, produtos, perfil de usuários e possíveis jornadas para a aplicação do Open Banking.

 

Exatamente por isso, o time de Produto da Quanto precisa mitigar muito bem todos os desafios envolvidos para conseguir gerar cada vez mais valor para os brasileiros.

 

Mas o que os  produtos e soluções de Open Banking fazem?

 

Basicamente, captamos os dados do correntista - isso, claro, somente após ele ter consentido em compartilhá-los - e deixamos essas informações disponíveis para a outra instituição financeira que o correntista permitiu compartilhar suas informações. 

 

Ou seja, ambas instituições conseguem acessar os mesmos dados do correntista, mesmo que o cliente não tenha vínculo com uma delas. Esse novo fluxo, por si só, já é muito interessante, porque o Banco X (no qual o usuário não é cliente, mas consentiu compartilhar seus dados) consegue visualizar todas as informações do Banco Y, onde o usuário tem conta. 

 

A Quanto é essa porta de entrada e saída das informações e fornece a tecnologia que permite esse novo alcance dos dados financeiros. Como produto, no entanto, precisamos tentar ir sempre um pouco além. Rodamos Product Discovery de forma macro e micro com áreas específicas das instituições financeiras, visto que diferentes setores das companhias serão impactados pelo Open Banking.

 

Traçando um paralelo, pensar em mercado e produto é pensar em problema e solução. Como funciona uma análise de crédito? Como é esse mercado? Quais são os problemas que ele enfrenta? Quais são as especificidades de cada segmentação desse mercado? Afinal, temos cartão de crédito, crédito imobiliário, crédito consignado, automotivo, mercantil, cada qual com várias características semelhantes e outras tantas bem diferentes. Por isso, fazemos essa segmentação para atuar em dores específicas. Precisamos dessa profundidade para desenvolver soluções de impacto. 

 

No fim, por meio das instituições financeiras, permitiremos que as pessoas tenham acesso a produtos mais personalizados e de qualidade, uma vez que todo mercado financeiro conseguirá ter acesso aos mesmos dados. Essa será a grande virada de jogo, pois com todo o mercado visualizando as mesmas informações, haverá mais competitividade. E, isso, por consequência, facilitará e ampliará o acesso das pessoas a produtos financeiros mais justos.

 

Regulação em produtos e soluções de Open Banking


Outro ponto fundamental é ficar atento à regulação, para que os produtos estejam dentro das diretrizes do Open Banking estabelecidas pelo Banco Central e pelos Grupos de Trabalho de Governança. Esses Grupos são formados principalmente por representantes de bancos, financeiras, fintechs e empresas de tecnologia como a Quanto, pioneira em Open Banking, e que desenvolve APIs para o mercado financeiro aberto. 

É complexo, até porque, existem indefinições que ainda precisam ser resolvidas durante o processo de implementação do Open Banking. Um exemplo disso: o usuário está no Banco S, onde é correntista, e quer compartilhar seus dados com o Banco R; para que essa operação seja concretizada, um dos bancos precisa fazer a validação cadastral do usuário; mas de quem é essa responsabilidade, do Banco S ou Banco R? 

 

Tal determinação precisa levar em consideração, primeiramente, a experiência do usuário. Pensando nele, em que etapa da jornada deveria acontecer a validação cadastral? O que seria mais conveniente para o usuário e geraria a melhor experiência? Pontos desse tipo ainda estão sendo discutidos e acabam tornando o desenvolvimento de produtos de Open Banking algo ainda mais desafiador. 

 

A Quanto participa ativamente dessas decisões nos GTs do Banco Central, pois sabemos que tudo que for decidido hoje terá impacto no futuro. Assim, sempre levamos em conta que, para o Open Banking evoluir nos próximos anos, precisamos fazer com que os brasileiros tenham uma boa experiência e, consequentemente, tenham acesso a produtos financeiros mais justos e de qualidade.

 

Em um futuro não tão distante

 

Tudo que descrevemos aqui, porém, trata apenas da leitura e democratização de acesso a dados. Ainda existe outra etapa, que envolve toda a parte de codificação dos dados por meio de APIs. Ou seja, a transação e fluxo das informações.

 

A ideia é que, num futuro não tão distante, seja possível, por exemplo, adquirir um eletrodoméstico em um e-commerce e, antes de pagar ou de decidir como fazer isso, receber ali, no próprio ambiente do e-commerce, propostas de crédito de diferentes empresas. E aí sim, decidir se vale a pena pagar com cartão, no boleto ou contratando um dos serviços de crédito oferecidos ali, no checkout da compra. Tudo acontece num único ambiente.

 

Isso aumenta o acesso ao crédito para os clientes e abre novas possibilidades de negócios para as empresas, fazendo o mercado girar a partir de uma nova dinâmica de fluxo de dados. E isso é só uma pequena parte de tudo está para acontecer.

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