Open Banking

Como mostrar para empresas e pessoas o valor do Open Banking

Artigo de Ricardo Cabral, CTO da Quanto.

 

Estamos avançando rumo às últimas etapas de implementação do Open Banking no Brasil. A primeira delas foi em fevereiro e, de lá pra cá, muita coisa mudou. Aumentaram as notícias, comerciais e anúncios de empresas falando sobre o Open Banking. Surgiu uma nova forma de compartilhamento de dados, com o cliente no centro de tudo. 

 

O interesse pelo tema cresceu, bem como a curiosidade e, principalmente, dúvidas a respeito de tantas mudanças. Como as empresas vão ganhar com o Open Banking? Por que é vantajoso para os consumidores? Afinal, o que muda e como podemos mostrar para empresas e pessoas o valor do Open Banking? 

 

Muda mais do que podemos imaginar, da tecnologia a questões comportamentais. Por conta disso, temos o desafio de auxiliar na educação do mercado. Mas para tanto, precisamos começar mostrando um benefício do que está sendo proposto. 

 

Primeiro as empresas, depois as pessoas

 

O caminho para mostrar o valor do Open Banking começa pelas empresas e instituições financeiras. É necessário que elas entendam o quanto o Open Banking pode empoderá-las, principalmente no que diz respeito a melhores tomadas de decisão, mais precisas. É possível calibrar melhor modelos de crédito a partir de novos padrões e, assim, fazer análises de forma individualizada.

Não é segredo que, hoje, a maioria das instituições acaba tratando as pessoas como grupos. Elas agrupam indivíduos com determinadas características, mas essa prática nem sempre corresponde à verdade. Às vezes, uma pessoa é uma boa pagadora, mas por conta de uma única dívida, por exemplo, acaba caindo no grupo de maus pagadores.

Com o Open Banking, no entanto, abre-se a possibilidade de individualizar o processo de análise de clientes. Então, talvez, essa visão de grupo mude bastante. Com isso, por exemplo, uma pessoa com renda mensal de 2 mil reais e que paga todas as contas em dia pode receber uma proposta de crédito melhor que uma pessoa que ganha 10 mil reais por mês, mas é inadimplente.

 

As empresas começam a entender o valor do Open Banking quando mostramos isso, que ela pode mitigar riscos e até mesmo ofertar crédito para indivíduos que, de início, talvez não fossem seus clientes ideais. Isso tem um forte impacto nos negócios dessas instituições. Assim que isso acontecer, é hora de mostrar os resultados para os clientes finais.


Open Banking e mudança de comportamento 

 

Desde quando entrei na Quanto, costumo dizer que o Open Banking tem potencial para ir além do mercado e impactar, também, a educação financeira que temos no país. Hoje, são corriqueiras as histórias de pessoas que pegam empréstimos já cientes de que dificilmente conseguirão quitá-los de volta.

Pagar ou não pagar, afinal, não faz tanta diferença assim. Ou, pelo menos, não fazia. Se uma pessoa inadimplente quisesse crédito, ela poderia quitar pontualmente suas dívidas e conseguir uma aprovação. Mas com o Open Banking é diferente. 

 

No sistema aberto, a instituição financeira não vai avaliar apenas se você possui ou não dívidas. Ela vai analisar quanto você ganha e quanto gasta, os empréstimos que já fez e como ou se os pagou, se possui investimentos, imóveis e, assim, traçar o seu perfil financeiro antes de qualquer decisão. 

 

O ponto em questão é: nosso comportamento financeiro também fará parte dessas informações. Por isso, acredito que num futuro próximo o Open Banking vai colaborar para uma nova consciência financeira. A partir do momento em que as pessoas entenderem o valor desses dados comportamentais, a tendência é que haja mais propensão das contas serem pagas em dia, contribuindo assim para um histórico positivo que facilitará, por exemplo, o acesso a crédito.  

 

O valor do Open Banking

 

A primeira grande barreira que o Open Banking pode superar e dar mostras claras do seu valor diz respeito aos meios de pagamento. Desde quando a Fase 3 de implementação começou, o mercado ganhou a possibilidade de contar com o ITP - Iniciador de Transação de Pagamento. Trata-se de uma licença emitida pelo Banco Central que possibilita, por exemplo, que aplicativos como o WhatsApp consigam acessar sua conta bancária - mediante a sua autorização - e intermediar um pagamento ou transferência sem que você tenha que entrar no aplicativo do seu banco.

Acho que, como todo meio de pagamento (o Pix é prova recente), isso vai se difundir para o mercado todo. Será provavelmente o primeiro contato de muita gente com o Open Banking e a Quanto tem um papel muito importante de auxiliar na educação do mercado, explicar o que é ITP e garantir uma boa experiência de uso para empresas e pessoas.

Talvez, o ITP dependerá de um ou outro setor da economia para decolar. Acredito que o varejo seja um forte candidato e, assim, terá campanhas informativas sobre o assunto. Mas entendo que parte dessa responsabilidade é nossa, como Quanto, como uma empresa que está liderando essa frente de difusão do Open Banking. Cabe a nós construir os cases que o mercado de varejo e outros setores consigam absorver a partir de soluções simples que resolvam problemas claros.

 

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